segunda-feira, abril 13, 2009

Desabafo

Talvez seja um pouco tarde para desabafar. Ainda mais quando você promete se dedicar aos estudos e fica acordado pensando na vida. Eu nunca sei por onde começar. Escreverei da maneira que o pensamento vier surgindo. Tentarei explicar meu medo.

Hoje tive ideias que achei fodas para escrever um texto. Foram duas e surgiram de uma mesma cena. Claro que não é a primeira vez. Costumo ter ideias de textos normalmente. O problema do meu “normal” é que sou pessimista. Eu olho a parada mais idiota do mundo e penso “puta que pariu, posso relacionar isso com o fato de que carecas não costumam pentear o cabelo. Mágico”. Mágico é o caralho, quero ver colocar no papel. Eu crio expectativas enormes, porém, sei que não chegarei ao ponto que quero. Então eu desisto.

Não sei se consegui ser bem claro, afinal, sou meio perdido nessas coisas. Tentarei usar um exemplo idiota. Minhas ideias são como tijolos. Eles estão ali, prontos para serem base de uma construção sólida. Eu imagino o resultado final. Lindo. Pronto, só construir. Então surge minha grande dificuldade. Não confio nas ferramentas. Até tenho elas, mas não confio. Aí os tijolos ficam ali, aguardando. Aos poucos eles se desmancham e se acabam.

Outro grande problema é ao publicar meus textos. Eu imagino as pessoas que os lêem pensando: “cacete, que ideia interessante. Pena que o bicho não saiba escrever”. Isso fica na minha cabeça martelando, então não escrevo nada. Resolvido. Deixo minhas ideias de lado.

Essa preocupação do que os outros acharão dos meus textos, junto com as minhas expectativas, surgem por eu ler ideias legais em textos legais. Parece que as pessoas conseguem colocar seus pensamentos de forma clara e interessante. Diferente de mim. Porra, não consigo ser foda como os outros. Não consigo. Fico ainda com mais medo por fazer faculdade de jornalismo. É como se eu tivesse a obrigação de escrever bem. Então imagino as pessoas pensando: “esse cara faz jornalismo mesmo? Que texto mal feito!”.

Falo isso porque quero me consertar. Continuarei não confiando nas minhas ferramentas, mas não quero dar bola para isso. O resultado final não precisa ser como imaginei, mas ele deve existir. Não posso perder mais tijolos. Não posso mais abandonar minhas ideias. Ahh... e foda-se o que pensarão sobre como escrevo.


Obs: daqui a pouco posso deletar esse post.

8 comentários:

Maikon K disse...

vai deletar mesmo ?
eu li antes disso :-)

H. disse...

ô mano! fica tranquilo!
Gostei muito da ideia e da expressão dela no tocante aos tijolos: tira a "aura" de que o escritor é mais que um trabalhador. Ao contrário: você também empilha tijolos e joga cimentos nele, depois de medir a altura, distância, ver o terreno etc.
E mais Brunico: se lembre, já vi vários muros tortos, construídos por pedreiros, mas esses muros são condição necessária para os próximos muros, retos, bonitos e que dispensam até mesmo um engenheiro, mestre de obras etc.

Em resumo: achei seu meta-texto bom, fez-me pensar.

Abração.

Bruno Bello disse...

li apenas o texto sobre saúde, já
falei que achei muito bom,

sinceramente levo comigo que o
pessimismo é a melhor forma de organizar as ideias,

até porque desconfio de qualquer pessoa muito otimista.

abraço.

Jéssica Michels disse...

Mágico. Eu quero ver tu continuar escrever *-*

Ivan disse...

Cara, isso é poesia. Se tuas dúvidas de escrever outros textos acontecem como aconteceu ao você escrever esse texto, não tenha mais medo porque mais claro do que esse texto impossível. E eu sei que você hesitou, então debulha escrever que só vai sair texto bom :D

Che, o Tamanduá Voador disse...

Pelo contrário, acho que você se expressa bem.Quem sou eu para falar de um estudante de jornalismo, mas pelo pouco que eu sei sobre bons textos, pode ter certeza que na minha concepção você escreve bem, seus textos tem alma, não apenas mais um monte de palavras soltas.
Continue assim.Boa sorte com o Blog (:

Ana Hemb.

Che, o Tamanduá Voador disse...

Gostei, não só por concordar com o pessoal acima de que o texto tá bom, mas por principalmente me identificar completamente com o teu pessimismo.
Quantas vezes cheguei a abrir um caderno, olhar a página em branco e depois de um tempo fechar sem escrever uma palavra pelo simples medo de que não vai sair da forma que eu quero,ou imagino ? nossa muitas vezes (até pra falar as vezes eu travo um pouco pra ser sincera). É complicado. Mas MESMO assim,mesmo desistindo VÁRIAS vezes...mesmo pensando " ah tem gente que escreve melhor do que eu", mesmo com mais um monte de coisa.. chega uma hora que não tem jeito, eu tenho que botar as idéias pra fora porque senão eu "transbordo".
(ou então eu solto um "foda-se" mesmo e escrevo..ahuahau é muito contraditório)
enfim, valeu pelo comentário no tamanduá e pelo SEU desabafo,porque eu pude desabafar comigo mesma (muito mais do que eu escrevi aqui)

Dani

Ariane disse...

Bruninho querido e cu docinho:
isso é tão normal... por que você acha que eu não tenho blog? E ainda estás num patamar mais elevado que o meu, porque tens um blog e se arrisca. Mas relaxa: esse lance passa com o tempo, e a Revi ajuda muito. Tu tens as ideias, o que é importante. Eu escrevo bem, mas a mim elas faltam... ou é a preguiça.